sexta-feira, 7 de setembro de 2007

O prefeito Ildefonso ligou para mim, e me chamou imediatamente para ir à prefeitura ver o que estava acontecendo. Ao chegar lá, percebi que algum hacker estava invadindo todo o sistema da administração municipal. Fui ver os computadores e vi que tinha algo escrito, mas não consegui entender, eram grandes letras garrafais, e logo depois, vi que eram vírus que tinham colocado no computador. Possivelmente era algum garoto que mostrava para os amigos que sabia mexer em qualquer rede, só para gabar-se. Depois de meia hora, os computadores estavam funcionando normalmente. Na mesma noite, liguei para o meu amigo Pedro, mais conhecido como Coruja e contei o que tinha acontecido. Mostrei a ele a mensagem que tinha nas telas de todos os computadores infectados da prefeitura e nenhum de nós dois conseguimos entender o que aquilo queria dizer, e acabei deixando essa história de hacker pra lá e fui dormir. (01/08/07)

Não dormi bem na noite passada, fiquei imaginando várias coisas, cheguei a ter pesadelo e acordei com uma dor de cabeça infernal. Fui para a escola e dei graças a Deus quando o sinal tocou encerrando o final das aulas. Cheguei em casa, almocei e fui direto para a loja do meu pai para terminar o trabalho do dia anterior. Chegando lá, meu pai me dá o recado que o prefeito Ildefonso queria que eu fosse lá de novo e com urgência. Fui direto para a prefeitura, fui na sala de informática e vi que havia acontecido tudo de novo. Mas dessa vez, os computadores tinham formigas nas telas, grandes formigas, movimentando-se de um lado para o outro. Era uma animação bem feita que tornasse os insetos sinistros, uma espécie de ETS. Na verdade, eram enormes saúvas, as grandes formigas que devoram tudo que vê pela frente. Não sabia ao certo o que dizer sobre o que via, mostrava uma coisa ameaçadora e enigmática como o desconhecido hacker. Novamente, depois de um tempo, consegui ajeitar os computadores, fazendo com que as saúvas desaparecerem. Na mesma hora, o Ildefonso disse que tinha certeza que alguém estava fazendo alguma coisa contra ele, porque tinha visto em uma das formigas escrito Comando P.Q, logo pensei que fosse o nome que o hacker usava para se identificar. De novo, fui conversar com o Coruja, e ele achava que era alguém da prefeitura que queria se vingar do prefeito e logo se ofereceu para me ajudar, deixamos o assunto pra depois, já que eu tinha que terminar a pesquisa da escola e fui pra casa. (02/08/07)

Hoje na escola, fui atrás do Coruja e fomos conversar das coisas desse tal Comando P.Q. E eu acho que essas duas letras podem nos levar a esse hacker, pode ser uma sigla ou até mesmo as iniciais de um nome... Fui logo procurar pela lista telefônica alguém que tivesse as iniciais P.Q, e o que mais se encaixava era um Paulo Quadros aí, fomos ao endereço desse homem, assim que chegamos lá, vimos duas antenas, uma de tevê e outra de radioamador, obviamente tinha internet. Tocamos a campanhia e apareceu uma garota, que era a filha dele. Fizemos algumas perguntas e ela acabou nos contando que seu pai teve uma briga com prefeito, aí que tivemos quase certeza que era esse Paulo Quadros, por suas características. Ainda aproveitei para pedir o telefone da garota que se chamava Beatriz, para sair qualquer dia e assim pensei que ela poderia me ajudar em algumas coisas. (03/08/07)

Passei o dia todo com isso na cabeça, me perturbando muito. Não conseguia nem prestar atenção as aulas, aí foi que o professor Roberto veio me perguntar se estava acontecendo alguma coisa. No começo, não quis dizer nada, mas depois ele acabou insistindo e terminei contando toda a história. Assim que disse o que tinha acontecido, Roberto disse que tinha um palpite a fazer, mas antes tinha que ver a mensagem e confirmar com um amigo se o que estava pensando tinha mesmo algum fundamento. Em seguida, me deu um livro Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto. Mesmo não entendendo muito o que esse livro tinha haver com o hacker, fui ler. Cheguei em casa, sem muita fome e fui direto para o quarto, já que estava deprimido... Foi aí que me lembrei do livro, comecei a ler. Pausei e fui me encontrar com o Coruja e falei do que tinha lido, fiz um resumo do livro e nós começamos a opinar sobre ele. Achamos cada vez mais interessante. Ficamos muito entretidos e acabamos perdendo um pouco a hora, até que cada um foi pra a sua casa. (04/08/07)

Fui até a casa do Coruja, contar o que tinha descoberto na madrugada lendo o livro. E que aquela história tinha uma coisa muito importante que podia nos levar ao hacker. No começo, as coisas não tinham sentido, depois das saúvas que vimos em comum, tudo foi se encaixando. Fomos até a escola atrás do professor Roberto, pra nos esclarecer tudo. E aí foi que começou a se encaixar mesmo, muitas coisas iguais, mas a gente ainda não sabia por que o hacker estava se baseando na obra do Lima Barreto. Foi aí que o professor Roberto nos resumiu o final do livro, e fomos falando dele, até que chegou na hora do início das aulas e tivemos que ir para a sala. Passei o resto do dia com isso na cabeça, pensando qual seria o próximo ataque do hacker. Cheguei em casa e fui logo ler o texto que me perturbava e não consegui entender nada, daí acabei indo falar com o Coruja de novo. Mas antes fui me desculpar com a Beatriz, fui até a casa dela, e disse que tinha errado em julgar sem saber, e que queria que ela me ajudasse a desvendar essa confusão. Agora, ela me disse uma coisa que me deixou interessado, o seu pai estava lendo o mesmo livro e estava descobrindo umas coisas intrigantes também. Fiquei curioso para saber se ele estava querendo me ajudar, mas ele estava dormindo e não pude perguntar. No fim de tudo, ela acabou aceitando minhas desculpas e disse que me ajudaria sim nessa história do hacker, por mais que eu não merecesse. Cobri-a de beijos e saí correndo para casa. (05/08/07)

Acordei alegre, por me lembrar de Beatriz, e pensei em convidá-la para sair comigo no fim de semana. Por mais que isso me deixasse feliz, eu não podia esquecer do hacker, e tive até um pressentimento. Que o seu próximo ataque seria muito em breve, e não é que eu acertei mesmo, de tarde o prefeito me liga dizendo que o cara tinha aprontado de novo. Fui correndo pra a prefeitura, chegando lá o Ildefonso me disse que tinha sido até pior, ele tinha invadido os computadores da prisão e aberto todas as portas e ainda tinha deixado mensagens por todo o lugar, escritas: "O Comando P.Q. ataca novamente". Fiquei super nervoso, sem saber o que fazer, e o prefeito ficou totalmente furioso e me ameaçou, dizendo que se eu não achasse esse sujeito, teria que me dispensar. Acabei indo para a loja pra ver se pensava em alguma coisa. Fiquei me perguntando que esse ataque tinha haver com o hacker... De repente, veio a luz, tudo teve sentido. Mas o hacker optou por uma ação muito mais ousada, sofisticada, diferente das outras, que tinham sido apenas mensagens. Liguei rapidinho para o professor Roberto, e ele disse que eu não devia fazer nada sem consultá-lo antes, ou até mesmo o meu pai. (06/08/07)

Fiquei inquieto com essa história, logo no café da manhã, minha mãe perguntou o que eu ia fazer finalmente. Respondi a sua pergunta e depois o meu pai disse que tinha escutado uma história muito complicada envolvendo esse tal de personagem e a prefeitura, mas disse que não lembrava muito, porque já fazia algum tempo que tinha acontecido. Fiquei bolado com isso, mas mesmo assim tive que ir pra a escola. No meio do caminho, vi o jornal ironizando o que tinha acontecido ontem (as portas da prisão ter sido abertas sozinhas). No fim da manhã, reuniu eu, o Coruja e o professor Roberto, para resolver rápido como acharíamos o hacker. Decidimos pedir ajuda as pessoas, e principalmente ao Jorge (o cara do jornal) que podia saber de alguma coisa que nos interessasse. De noite fui até a casa da Beatriz, tinha marcado o encontro ontem com ela. Cheguei lá, falei com o Paulo, me desculpei pelo engano e nós conversamos sobre esse assunto do hacker. Ele acabou me ajudando, disse que um homem chamado Camilo Terra tinha indicado para ler o livro do Policarpo, e que ele tinha feito coisas iguais a de Policarpo, ainda morava no mesmo sítio que o Policarpo tinha morado e pensava os mesmos assuntos, tinha até um ódio pelo prefeito. O Paulo, disse que não podia me contar tudo, pois seria desrespeito com o Camilo, já que não sabia se ele queria que ficasse contando essa história pra todo mundo. Não insisti muito, agradeci ao doutor Paulo, me despedi dele, da Beatriz e fui embora. Depois, escutei alguém gritando meu nome, era a Beatriz dizendo que queria ir comigo até o Camilo, e que iria hoje à noite mesmo. Fomos atrás do Coruja para nos fazer companhia, já que ele estava me ajudando com isso desde o começo. Pegamos o ônibus, chegando lá, entramos e fizemos algumas perguntas ao Camilo. Disse que achamos que ele era o hacker, e explicamos toda a história. Com isso, o Camilo teve que contar como foi a briga dele com o prefeito, e cada vez mais, a história deles tinham mais coisas em comum, fizeram as mesmas coisas, foram até internados... Mas no meio da conversa, apareceu um menino, um pouco mais velho do que eu e o Coruja, e disse que o pai dele não tinha nada haver com toda aquela confusão. O nome dele era Afonso Henriques, em homenagem ao escritor, e o filho do Camilo. Nisso, ele acabou confessando que o verdadeiro hacker era ele, e que tinha feito tudo aquilo pra se vingar do prefeito, que tinha usado o seu pai no passado. Desculpou-se pelo erro e disse que não ia mais acontecer nenhum ataque. Mesmo assim disse a ele que teria que dizer ao Ildefonso o nome do hacker, mesmo ele tendo acabado com os ataques. Acabamos virando amigos, fomos até pra a festa de aniversário da Beatriz, que é no sábado. (07/08/07)


Hoje, fui à prefeitura falar com o Ildefonso, contei que tudo tinha se resolvido e que sabia quem era mesmo o hacker. O prefeito me prometeu que não faria nada contra o ele, mas depois disse que se tratava de um filho de um inimigo e que eles podiam se candidatar no futuro e tentar acabar com a sua carreira política. O Ildefonso ligou imediatamente para o Jorge, que é o dono do jornal para publicar o nome do hacker. Saí do prédio muito chateado, fui até o Afonso Henriques dizer o que o prefeito ia fazer, ele ficou imóvel, calado... Mas dissemos que estaríamos do seu lado para qualquer coisa. (08/08/07)

Logo de manhã, toda a população já sabia da verdade, e o caso acabou parando na justiça. O julgamento parou a cidade, os partidários do prefeito queriam que o Afonso Henriques tivesse uma punição severa, e que fosse pra a cadeia. E ao mesmo tempo, os amigos dele o defendiam, e formamos um comitê. Na frente, estava Paulo Quadros, o professor Roberto e os meus pais, já na ala jovem: Eu, Coruja, Beatriz, além de muitos outros curuzenses com raiva da prepotência do prefeito. Arranjamos um advogado para defender o Afonso, preparamos cartazes e folhetos, e organizamos muitas reuniões para ajudar nisso tudo. Anunciaram que o julgamento ia ser em público, o mais importante da história da nossa cidade. Foi chegando o dia... Até que chegou o momento, todos reunidos na sessão do velho cinema de Curuzu. Foi aí que começou o julgamento, falou primeiro a acusação... Disse os argumentos que todos já conheciam. Com as falas do promotor que acusava Afonso, todos falavam, protestavam e eu gritava, até que o juiz exigiu silêncio. O doutor Vicente se levantou (o advogado do Afonso), começou a falar coisas que deixavam as pessoas satisfeitas... No final, foi aplaudido e nós festejávamos porque tínhamos certeza que o Afonso escaparia dessa. Ele acabou sendo condenado, mas foi uma coisa leve: durante um ano, deveria prestar serviços comunitários. Dando aulas de computação para as crianças de uma escola pública de Curuzu. (09/08/07)

A secretaria do prefeito até que nos ajudou. Mostrou uns papeis que comprometia a carreira do Ildefonso. Ele fazia várias negociatas, a repercussão foi enorme, o prefeito foi condenado e não podia mais tentar se reeleger. Com isso, criamos um novo partido: “Ética em Curuzu” e o representante escolhido foi Paulo Quadros. No começo, ele não quis aceitar, mas depois acabou sendo o novo candidato a concorrer ao cargo de prefeito da nossa cidade. Depois, tudo deu certo, eu comecei a namorar a Beatriz e o Afonso, a irmã mais velha dela que era a Heloísa. Fizemos as preparações pra a campanha, fizemos cartazes, e demos as melhores idéias pra a melhoria dela. Veio a eleição e o resultado foi o esperado: Paulo Quadros ganhou com uma diferença enorme de votos. Com um tempo, tudo foi se organizando, a cidade não tinha mais dívidas e tudo ficou em ordem. Eu e o Afonso nos demos bem, instalamos todo o sistema de informatização municipal, e vinha gente de todo o país conhecer o nosso trabalho. Tudo melhorou depois do Paulo Quadros como prefeito, e ele fez também uma construção: um centro cultural em Curuzu. E está situado na rua principal da cidade, e na frente à escultura de Oróbio Gonçalves, um artista popular. Mostra Policarpo Quaresma segurando um texto em tupi-guarani. (10/08/07)

1 Comentários:

Às 7 de setembro de 2007 às 10:24 , Blogger Caco disse...

muito legal minha história :D
façam comentários sobre ela ;D

 

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

<< Página inicial